Bom, eu tenho uma cachorra que eu amo muito, minha bebê coisa fofa nhaw lindinha nhac nhac e… Então, ela se chama Polly. E eu a adoro.
Não é que eu não esteja satisfeita com ela… É só que eu queria outro bichinho também.
Pedi um gato à minha mãe.
- Nem pensar. Teria que colocar tela nas sacadas e nas janelas, fica caro… Não tem como.
Nós moramos no nono andar, o último. Insisti, mas realmente não deu.
Depois de algum tempo, algumas semanas, eu comecei a lembrar do quanto adorava hamsters. Minha vizinha/melhor amiga/irmã tinha hamsters quando nós éramos crianças e eles eram as coisas mais fofas.
Falei com a minha mãe e ela disse que eles eram bichos sem graças e que nem pensar.
Então, mais legais que hamsters e ainda parecidos temos o que?
~*#PORQUINHOS DA ÍNDIA!**~
Na manhã do dia 24, na escola, eu decidi. Vou comprar um.
Eu já havia comentado com a minha mãe, e ela disse que tudo bem, só que seria eu quem pagaria por tudo, cuidaria e etc. Tudo bem.
- Vou comprar um porquinho da índia! – disse ao Murilo e à Gabriela dentro da sala.
A partir daí, esse foi o trending topic do dia. Recebi conselhos, histórias e tudo mais.
- Que nome eu dou? – perguntei.
- Carniça – um menino intrometido da minha sala disse.
- Ew. Não – respondi. – Eu queria uma referência legal, sabe… Que tal o nome do personagem mais legal de Star Wars? Ele podia se chamar Yoda, né?
Gabriela riu.
- Ou Marsh – falei. – Em homenagem ao Marshall, de How I Met Your Mother.
- Marsh é estranho…
- Olha, tem uma série que o Jason Segel fez no final dos anos 90 que o personagem dele chama Nick. Mas Nick é muito comum… Nishall, que tal?
- Que horrível.
- É, não sei porque essa obsessão com o Jason, deixa quieto.
Depois de algumas sujestões (Picanha, Micael, Cheese, etc), falei.
- Acho que vou chamá-lo de Boobs.
- Boobs? Mas você vai comprar macho ou fêmea?
- Macho…
Não sei como mudei de ideia, não lembro, mas decidi que o nome seria Chest. Mais masculino, discreto e praticamente o mesmo significado de “boobs”.
Chegou a hora do recreio (não, não estou na quarta série mas vou falar “recreio” pra sempre.) e eu precisava ligar para minha mãe.
- Oi? – ela atendeu.
- Mãe, não precisa me buscar hoje, meu pai vem.
- Tá bom.
- AH MÃE, A GENTE VAI TER UM PORQUINHO DA ÍNDIA.
- Já sabe as regras né?
#1 – Você não fala sobre o porquinho da índia.
#2 – Você não fala sobre o porquinho da índia.
#3 – Se o porquinho da índia diz para parar, tudo acaba.
- Sei, sim, mas você vai adorar, e a gente vai comprar ele!
- A gente nada, já tenho dois porquinhos aqui em casa. – Acho que ela estava se referindo ao meu irmão e à Polly.
Dei uma risada forçada para que ela percebesse e ela riu. De algum jeito, sem querer, eu desliguei na cara dela. Não foi intencional, mas depois eu mandei uma mensagem pedindo desculpas e dizendo que nós amaríamos nosso porquinho.
No ultimo passo do dia, teve realmente uma guerra sobre aonde eu deixaria meu animalzinho.
- Eu vou deixar na área de serviço, com a Polly.
- Não dá – disse o Murilo. – Ele vai morrer de frio.
- Lá nem é fr…
- Não dá.
- Então eu deixo no quartinho, é quente lá.
- Mas é escuro e solitário, ele vai morrer.
- … Eu coloco uma vela.
- Mas você vai comprar o bicho pra deixar ele com uma vela?
- Argh, mas é só na hora de dormir, o resto do dia ele fica comigo.
- Só que você dorme o dia inteiro.
Acabou o assunto. Ele vai ficar no meu quarto, apesar de não ter lugar.
Mas sabem de uma coisa? Eu vou ter um porquinho da índia.